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48% das mães ficam desempregadas no primeiro ano após o parto.

31 de Agosto de 2017  |  
48% das mães ficam desempregadas no primeiro ano após o parto.

A volta ao trabalho depois da licença maternidade foi bem planejada por Ariane Whitaker, 35, mas o que encontrou lá foi bem diferente do esperado. “Minha mesa não estava pronta, a senha do meu computador não entrava. Até que uma colega me avisou que meu diretor e o presidente da empresa estavam me esperando. Sem explicações, fui demitida”.

Relatos como o de Ariane não são exceção, muito pelo contrário. Segundo a pesquisa “Licença maternidade e suas consequências no mercado de trabalho do Brasil” da FGV divulgada para o UOL, 48% das mães saem de seus trabalhos nos primeiros 12 meses após ter seus filhos. O levantamento foi feito com 247.455 mulheres entre 2009 e 2012 e constatou também que quanto menor a escolaridade da mulher, maior o desemprego após a maternidade.

 

 

Desemprego de mães após o parto

A estabilidade não é um direito?

O que aconteceu com Ariane não é ilegal: ela tinha emendado a licença com as férias e ficou cinco meses fora. Pela lei, a mulher tem direito a estabilidade durante toda a gestação e até cinco meses após o parto.

“Quando volta, tem que deixar o filho na creche, pode se atrasar. Vai precisar amamentar, levar o filho ao médico. A empresa vê isso como um problema”, explica Jorgete Lemos, diretora de Diversidade da ABRH (Associação Brasileira de Recursos Humanos). Isso significa que, para o empresário, aquela mulher passa a produzir menos, então, custa mais caro.

Desigualdade começa em casa

Jorgete fala que o problema real não é esse e, sim, a desigualdade na criação dos filhos: como ainda é a mulher que assume a maior parte das tarefas, como levar o filho ao hospital, a mãe acaba faltando mais do que o pai. A desigualdade começa, portanto, dentro de casa. “E segue na cabeça do RH, que também não evolui esse pensamento”, conclui.

Outras questões complicam a vida da mãe: creches distantes, falta de espaço para amamentação e horários rígidos, que dificultam o cuidado com os filhos, o que também leva muitas a desistirem dos empregos por não conseguir conciliar o trabalho com a maternidade.

Estabilidade

Sem aumento por causa da licença

Erika Ribeiro, 35, trabalhava como supervisora de recursos humanos e, entre suas atribuições, estava a de tabelar as previsões de aumentos. Ela sabia que toda sua área receberia um aumento, inclusive ela, quando descobriu que estava grávida. “Contei ao meu chefe e, naquele mês, foram processados os aumentos. De todo mundo, menos o meu, que não veio”.

Ela chegou a falar o chefe sobre isso, e ele justificou que, como ela logo sairia de licença, não compensava dar o aumento.

Chefe sugeriu que ela mesma contratasse uma substituta

Já para Renata Amaral, 37, a situação foi um pouco mais complicada. Trabalhando como “freela fixo” –o equivalente a um terceirizado– em uma grande empresa de comunicação, ela atuava exatamente como as pessoas oficialmente contratadas.

No sétimo mês da gestação, foi informada de que a empresa não teria como pagar sua licença e recebeu uma sugestão: eles continuariam a pagar seu salário, desde que ela contratasse alguém para cobrir seu tempo fora. Ela poderia pagar menos para essa pessoa e ficar com uma parte do seu salário. “Fiquei chocada”.

Empresa pensa no prejuízo imediato

Jorgete Lemos explica que as empresas enxergam a licença da gestante também como um custo, já que uma pessoa vai precisar ser contratada e treinada para substitui-la. “Esse é um problema de visão. É preciso um olhar de valorização da profissional. Se ela é boa, importante para a empresa, o olhar deveria ser de querer manter a profissional. Mas acontece que a maioria das mulheres não é respeitada nem valorizada”.

Por isso a defesa da licença paternidade encontra tanto apoio. Além de permitir que o pai seja parte mais ativa na criação e cuidado do filho, ela diminui esse olhar empresarial da mulher que tem filhos como um custo.

“Mas quem fica com seus filhos?”

A professora Carolina Pedrosa, 33, estava discutindo a pensão com seu ex-marido há alguns anos, quando estava desempregada, e ele alegou que o pagamento não fazia sentido, já que os dois tinham a mesma formação e capacidade profissional.

“Daí eu perguntei para ele: ‘Quantas vezes te perguntaram com quem você deixa seu filho, em entrevistas de emprego?’. E ele disse que nunca, porque isso não tinha a ver com a habilidade profissional dele, oras. Pois bem, em todas as entrevistas me faziam essa pergunta”, conta ela. Depois dessa conversa, ele topou pagar a pensão.

A existência de filhos, quem cuida deles e também os planos de ter filhos são questões comumente feitas em entrevistas de empregos às mulheres. Erika fala que, com frequência, recebia a orientação, quando trabalhava com RH, de “não pegar mulher recém-casada, por ter grandes chances de engravidar”.

Para Jorgete, isso vai mudar à medida que as empresas passarem a ter o olhar de que o filho é uma responsabilidade do homem também.

Fonte: UOL, por Henela Bertho, 28.08.2017

 

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